21 de dezembro de 2005

14 de dezembro de 2005

Pessoas


Um par rapioqueiro...


...um mago improvisado...


... gente anónima num fim de tarde frio de Dezembro, entre Santa Catarina e a Batalha.

7 de dezembro de 2005

Lello & Irmão - uma livraria deslumbrante



No dia 13 de Janeiro de 1906, por volta do meio-dia, a baixa portuense acotovelava-se para ver as individualidades mais destacadas das Letras portuguesas, professores universitários, artistas, jornalistas, homens políticos e comerciantes do Porto, entre os familiares dos proprietários da Livraria Lello e Xavier Esteves, autor do projecto do edifício a inaugurar, todos dirigindo-se para o interior daquela casa, onde se procederia à solenidade de abertura. Presentes figuras como Guerra Junqueiro, Abel Botelho, João Grave, Bento Carqueja, Aurélio da Paz dos Reis, Afonso Costa e muitos outros.



Depois de um beberete e de palavras elogiosas proferidas aos editores livreiros, Abel Botelho deixou registado o seu testemunho no Livro de Ouro da livraria, que se revelou premonitório: «...erigir um tão formoso templo ao divino culto da Emoção e da Ideia, é um grande acto de benemerência, e que, pelos seus largos e fecundos resultados, há-de ligar perduravelmente os nomes Lello & Irmão ao reconhecimento nacional».



A história da livraria Lello remonta a 1869, ano em que é fundada na Rua dos Clérigos a Livraria Internacional de Ernesto Chardron. Após o imprevisto falecimento de Chardron, aos 45 anos de idade, a casa editora foi vendida à firma Lugan & Genelioux Sucessores. Em 1894 Mathieux Lugan vendia a Livraria Chardron a José Pinto de Sousa Lello que possuía então uma livraria na Rua do Almada. Associado ao irmão, António Lello, mantêm a Livraria Chardron, com a razão social de José Pinto de Sousa Lello & Irmão, até 1919, ano em que o nome da sociedade muda para Lello & Irmão Lda.



Este verdadeiro ex-líbris da cidade atravessou o século XX, geração após geração, nas mãos da mesma família. Em 1995, José Manuel Lello decide realizar uma profunda transformação no interior da livraria, cuja herança, segundo as suas palavras, lhe «trazia não só um passado de ricas tradições mas também a exigência de fazer perdurar esse ideal de amor pelos livros, que se traduziu na edificação de uma obra arquitectónica única no mundo». O trabalho de restauro e de adaptação às actuais formas de uso foi entregue ao arquitecto Vasco Morais Soares.



Entrando hoje no interior da livraria, o visitante sente-se envolvido por um ambiente acolhedor, onde pontificam os livros e uma decoração impressiva. Uma vasta sala, com uma galeria que dá acesso a um escada ornamental, onde correm algumas mesas que servem para exposição dos livros. Bancos em madeira e revestidos a couro e estantes a toda a altura desta sala perfazem o espaço interior próprio de uma livraria actual, mas que guarda a memória do passado. Nos pilares, à esquerda e à direita, distinguem-se os bustos de distintos homens de letras: Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Tomás Ribeiro, Teófilo Braga e Guerra Junqueiro. O tecto, lavrado, resguarda no centro uma luminosidade diáfana que provém do amplo vitral em que se desenha o ex-libris de Lello & Irmão, Lda, com a conhecida divisa, «Decus in Labore».




Como escreveu um afamado jornalista do princípio do século, «a riqueza de tons do grande vitral, o recorte gracioso das janelas, a balaustrada da galeria e os grandes candelabros situados nos ângulos que demarcam esse espaço, as lindas ogivas que se entrelaçam no tecto sob os florões e que vêm morrer nas nervuras que correm pelos pilares até às mísulas, deixam o visitante deslumbrado».



A mesma admiração suscita a fachada em estilo neogótico, formada por um amplo arco abatido, cuja entrada se divide numa porta central, ladeada por duas montras.



Sobre este arco há uma janela tripla, fechada na platibanda e separada das pilastras, as quais são encimadas por coruchéus originais. Dos lados da janela, destacam-se duas figuras pintadas, da autoria de José Bielman, simbolizando uma a Arte e a outra a Ciência.



O resto da fachada completa-se com ornamentação fitográfica e com o nome da livraria. De realçar o rendilhado que encima o edifício, todo ele um monumento artístico que já mereceu classificação de património nacional.

Adaptação livre de um texto da livraria Lello & Irmão

30 de novembro de 2005

Todo o esplendor do Outono...







...no jardim da rotunda da Boavista.

Ainda as Vozes do Mar

Tanto quanto me apercebi, pela leitura dos comentários, das fotografias publicadas nas entradas abaixo, a mais apreciada foi a do Farolim de Felgueiras. Talvez porque, como comentou Funes , «Não há no Porto portuense nenhum que não saiba que nesta foto está a nossa essência de portuenses. De portugueses», referindo-se, quanto a mim, ao local, que está na retina de todos os portuenses, à neblina do litoral nortenho e à nossa condição de país atlântico.

A segunda foto não se sustentaria sozinha por falta de rigor técnico - por isso está no meio - mas foi assim que eu a quis, mar e céu apenas, vistos de frente, olhos nos olhos como quem conversa, a condizer com o poema. Está lá também aquele desfalecimento da luz, que Florbela Espanca designa como delíquio, termo que eu desconhecia.

A terceira foto é a minha preferida. Nela consigo ver «o céu pesado e nevoento», ouvir «a trágica voz rouca» do mar e sentir o vento «a passar como o voo de um pensamento», como refere o poeta. Há também ali algo de inefável que me remete para a pintura naturalista da segunda metade do século XIX.
Pretensiosismo da minha parte? Não, é apenas o gosto profundo pelas imagens.

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Sem tempo e com a motivação esmorecida, A Cidade Surpreendente esteve suspensa durante nove dias. Para que haja alguma regularidade nas actualizações do blogue, elas surgirão apenas uma vez por semana, às Quartas-Feiras.
Palavra de blogger!

21 de novembro de 2005

Vozes do Mar - 3



Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen

18 de novembro de 2005

Vozes do Mar - 2



Vozes do Mar

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Florbela Espanca

17 de novembro de 2005

Vozes do Mar - 1

Vozes do Mar é o título de um poema de Florbela Espanca, que escolhi para epígrafe de três ilustrações de poemas sobre o mar. As imagens foram colhidas na frente marítima do Porto.




Oceano Nox

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental

Poesia Completa, 1842-1891
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001

14 de novembro de 2005

«Viva o Porto Oriental»



Motivado pelo entusiástico comentário que um visitante anónimo deixou na entrada anterior, não resisti a deixar aqui três pormenores de três edifícios distintos...




...situados num conjunto que, num blogue lamentavelmente adormecido, foi classificado como « provavelmente, o mais belo esboço urbano do Porto».



Conjunto que, como ali é afirmado, «encerra em si, ainda hoje, um encantamento inultrapassável». Trata-se do espaço urbano compreendido entre as ruas que divergem a partir do Largo Soares dos Reis, em direcção ao Campo 24 de Agosto, ao Jardim de São Lázaro e à Praça da Alegria.

8 de novembro de 2005

Uma nova centralidade



Com esta entrada não pretendo celebrar nenhuma das modernidades tão apregoadas nos discursos vazios de conteúdo que vamos ouvindo no dia a dia, mas a verdade é que na parte oriental do Porto, votada ao abandono durante décadas a fio como se não pertencesse à cidade, há algo que, bem ou mal, está a mudar.



No final dos anos 90 foram pensadas para aquela zona três grandes intervenções, com os objectivos do ordenamento urbanístico e da criação de novas acessibilidades: a abertura da Avenida 25 de Abril e a construção de um viaduto sobre a VCI, a ligar a Praça das Flores à Corujeira; a criação de duas alamedas, a de Cartes e a de Azevedo, a partir do nó do Mercado Abastecedor; e a intervenção mais ambiciosa, a do Plano de Pormenor das Antas com o propósito de criar uma nova cidade com funções variadas.





Para aqui previram-se, três mil fogos, dois hotéis, um estádio de futebol, um pavilhão multiusos, um centro comercial, equipamentos de saúde e de ensino, um parque urbano com dez hectares, estacionamento para três mil viaturas e um interface para o metro.



Como as imagens documentam, parte do Plano de Pormenor das Antas está construído mas, a avaliar pelo falta de actualização desde 2002 do sítio da Apor - a Agência para a Modernização do Porto que promoveu estas e outras intervenções -, o equipamento de saúde, o de ensino e o tal parque urbano ficaram pelo caminho, confirmando o imobilismo camarário instalado há quatro anos na cidade.

6 de novembro de 2005

Tableaux vivants em Serralves





Os tableaux vivants consistiam na recriação de pinturas, ou de quadros do imaginário colectivo, com personagens que se mantinham imóveis e calados. Perdida a importância que tiveram como meio popular de diversão, antes do advento da rádio, do cinema e da televisão, os tableaux vivants continuam presentes em algumas encenações de carácter religioso, nos homens-estátua que a cada passo encontramos nas ruas das nossas cidades e - porque não? - no cinema de Peter Greenaway.
A exposição patente em Serralves traz, no entanto, outra abordagem contemporânea.
Nos trabalhos ali expostos fazem-se interagir técnicas como a pintura e o vídeo ou a escultura e o vídeo, explorando os conceitos espaço/tempo e mobilidade/imobilidade.
Entre outras, há duas obras muito interessantes de Rui Toscano realizadas para ecrã plasma, em que «o movimento real é quase imperceptível no contexto de uma imagem fixa». Representam o Rio de Janeiro e São Paulo «surgindo entre a reminiscência do postal turístico e a objectividade inexpressionista de um registo fotográfico». A não perder.

1 de novembro de 2005

Cores do Outono



A copa de um liquidâmbar...



...e outra árvore que não consegui identificar na parca bibliografia que possuo, apesar das amostras que recolhi no terreno: um ramo de folhas alternas com recorte marginal em forma de serra e um fruto redondo que parece e cheira a limão. Haverá alguém no grupo de especialistas que queira esclarecer-nos?

28 de outubro de 2005

Na Ponte da Arrábida

«Não se afirme que a ideação de uma ponte do alto da Arrábida ao Candal é coisa nova nas aspirações portuenses, porque em 1886, ano em que foi aberta à circulação a ponte de D. Luís, já se preconizava e previa a construção daquele viaduto como complemento da urbanização da cidade e como saída necessária ao tráfego proveniente da actividade portuária de Leixões», escrevia a revista O Tripeiro em 1963, no número comemorativo da inauguração da Ponte da Arrábida.



Pensada inicialmente como simples alívio da Ponte Luís I, que em 1930 se mostrava já insuficiente para satisfazer as necessidades de circulação entre as duas margens do Douro, o projecto da Ponte da Arrábida viria a superar todas as expectativas iniciais, tanto pela grandiosidade da obra como pelo método construtivo.



Edgar Cardoso, um homem que não recuava perante dificuldades técnicas, idealizou-a a pensar no futuro, como peça fundamental de um rede complexa de ligações rodoviárias, e dotou-a do maior arco em betão armado até então construído à face da terra. Uma temeridade para a pequenez da mentalidade do Portugal de 1955. A ousadia contudo não ficou por aqui.

O molde para o fecho central do arco que havia sido construído a partir das margens, tinha, ainda segundo O Tripeiro, «80 metros de comprimento e 11 de largura, pesava nada menos de 465 toneladas. Era uma desmesurada peça que tinha de ser deslocada dos estaleiros de Gaia até debaixo do ponto exacto da elevação no rio e aí soerguida verticalmente, em arranque sucessivos, até ao nível das consolas que iria ungir». A essa operação, que decorreu entre 14 e 20 de Julho de 1961 assistiram inúmeros mirones, alguns na esperança de ver toda aquela estrutura desabar o que, como se sabe, não aconteceu.



Quando foi inaugurada, em 22 de Junho de 1963, a ponte dispunha de quatro elevadores para que os peões pudessem vencer a distância de setenta metros do rio ao tabuleiro, facilitando a travessia pedonal. Estava ainda equipada com duas pistas para bicicletas, um meio de transporte comum na época. Com a motorização do transporte pessoal estas facilidades desapareceram.



O atravessamento da ponte a pé permite, no entanto, usufruir de um panorama único e ao mesmo tempo observar a modernidade daquela estrutura projectada há cinquenta anos. Os acessos são mais fáceis do lado do Porto, a partir do Teatro do Campo Alegre e do Centro Desportivo Universitário do Porto, do que do lado de Gaia.



Nas torres dos elevadores, parte integrante da estrutura daquela obra de arte, podem observar-se quatro esculturas ornamentais com cinco metros de altura, fundidas em bronze. Duas do lado do Porto, do escultor Barata Feyo, simbolizando O Génio Acolhedor da Cidade do Porto - na foto acima - e O Génio da Faina Fluvial e do Aproveitamento Hidroeléctrico; e duas do lado de Gaia, do escultor Gustavo Bastos, representando O Domínio das Águas pelo Homem e O Homem na sua Possibilidade de Transpor os Cursos de Água.

27 de outubro de 2005

Contra-plano



O observador do panorama de uma das fotos publicadas na entrada abaixo, estaria algures entre o arvoredo dos jardins do Palácio de Cristal, à esquerda. A imagem serve de mote para a abordagem à Ponte da Arrábida que será feita aqui amanhã, nunca antes das 19h00.

24 de outubro de 2005

Sol de Outono



Já estivemos aqui no Inverno passado observando a igreja da Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos.



Aproveitemos agora para levantar o olhar e contemplar o Douro, a caminho da imensidão do Atlântico, e a elegante ponte que une os maciços rochosos da Arrábida e do Candal.



As imagens foram captadas hoje nos Jardins do Palácio de Cristal, enquanto a manhã decorria pachorrenta e temperada pelo sol deste início de Outono.

14 de outubro de 2005

A ponte e a praça





A ponte e a Praça da Ribeira, revisitada, já com a marca do Outono. Lá no alto, uma afirmação de poder perdido no tempo: o imponente Palácio Episcopal.

13 de outubro de 2005

O espectro da ponte



Esta fotografia não terá o valor estético de outras imagens aqui publicadas. A sua importância é documental. Retrata um momento irrepetível, já que a fotografia nunca ultrapassa o acontecimento a que se refere. Cristaliza-o, aprisiona-o e repete-o mecanicamente, aqui em pontos de luz a cada clic de entrada na Cidade Surpreendente. Foi a esta possibilidade de regresso do passado até nós, através de uma imagem fotográfica, que Roland Barthes chamou spectrum.
Este espectro da ponte Luís I, faz sentir como ela estava no dia 1 de Setembro de 2003 às 11h56, encerrada à circulação motorizada, antes do início das obras para passagem do metro.

7 de outubro de 2005

A ponte a pé



Quem não conhece o Porto que se desengane. Esta não é a ponte abordada na entrada anterior, é a outra, a segunda ponte projectada por Théophile Seyrig na cidade.



A Ponte Luís I, que deu passagem a carros de bois, a carros eléctricos e mais tarde ao trânsito exclusivamente automóvel, tem agora o tabuleiro superior dedicado à passagem do metro. Com o reforço e a reabilitação da estrutura metálica a ponte parece nova, apesar dos seus vetustos 119 anos de idade. Esqueçam o ruído e a poluição, ela está silenciosa, limpa e segura para a travessia pedonal e constitui, agora mais do que nunca, um excelente miradouro sobre o rio e a cidade.

4 de outubro de 2005

A ponte que Eiffel construiu



O mito que atribui a autoria do projecto da Ponte Maria Pia a Gustave Eiffel, sofreu recentemente um novo revés. Desta vez foi uma voz autorizada a repor verdade, o historiador Lopes Cordeiro que, por ocasião do lançamento do livro «Ponte Maria Pia - a obra-prima de Seyrig», de que é co-autor, afirmou, segundo o Jornal de Notícias:

«O arco da ponte é que foi revolucionário e ele deve-se aos cálculos de Seyrig. Todo o resto da Maria Pia foi construído em série e aplicado noutras pontes metálicas. Por isso a ponte é de Théophile Seyrig».

Esta declaração levou-me a procurar uma revista antiga de trinta anos, adquirida a um alfarrabista de Córdoba, onde Mercedes López García, professora de Estética da Engenharia, aborda a obra e a personalidade do autor da famosa torre de Paris, num artigo intitulado «Eiffel, Mito y Realidad».

O texto não pretende desqualificar Eiffel, mas sim colocá-lo no lugar que lhe pertence: o de um excelente construtor e empresário, no sentido mais moderno da palavra. Eiffel sabia cercar-se de brilhantes engenheiros que mantinha na sombra por razões promocionais da empresa que tinha o seu nome. O seu mérito não residia na criação, mas sim na gestão que imprimia às construções e na precisão da execução, graças à técnica de pré-fabricação em estaleiro, tão avançada para a época.



Em 1868, Eiffel conhece Théophile Seyrig, um brilhante engenheiro, com quem constitui uma sociedade em condições altamente favoráveis para si. Quando Seyrig se apercebe das condições desvantajosas em que trabalhava propõe alterar o contrato. Eiffel recusa e rescinde o acordo nove anos antes do fim do prazo contratual. Entretanto Seyrig havia projectado a Ponte Maria Pia, que a empresa Eiffel construiu num curto prazo de tempo. Seyrig vai então trabalhar para a empresa Willebroeck que, com um projecto seu, ganha a Eiffel o concurso internacional para a construção da Ponte Luís I, também no Porto.

O grande êxito de Eiffel, aquele que o tornou popular a nível internacional, foi a torre que tem o seu em Paris. A ideia da torre, contudo, foi de dois dos seus colaboradores: Maurice Koechlin e Emile Nouguier. Eiffel regista a patente em nome dos três e passado algum tempo apressa-se a comprá-la aos seus colaboradores, ficando como único proprietário. Mais tarde assinará o acordo para construção da torre, não no nome da empresa, mas em seu nome pessoal. Construirá a gigantesca estrutura no prazo de 26 meses, sem acidentes mortais. Um verdadeiro sucesso.

No currículo da casa Eiffel constam inúmeras obras numa grande dispersão geográfica. Só na Ásia montou quatro mil pontes pré-fabricadas. A estrutura da Estátua da Liberdade também foi por si construída.

O hábito de assinar apenas contratos que lhe fossem extremamente vantajosos, deixará uma mancha no seu orgulho. O acordo para construção de comportas no canal do Panamá, foi redigido em tais termos que Eiffel acaba em tribunal no ano de 1892, acusado de fraude, de que foi absolvido.

Alguns meses depois retira-se, dedicando-se durante 28 anos à investigação científica.